Teatro de Bonecos pelo Mundo

por Tiago Almeida
Grupo Girino Teatro de Animação

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Diversas técnicas de concepção de teatro de bonecos, de mecanismos, manipulação e narrativas foram desenvolvidas e aperfeiçoadas ao longo da história do Teatro.

Na Itália, o boneco mais conhecido foi o MACEUS, que antecedeu o POLICHINELO, o PUPPI e o FANTOCCINI. Na Turquia havia o teatro de sombras KARAGÓZ; no Japão o BUNRAKU e o KURUMA NINGYO; na Grécia, as ATALANAS; na Alemanha, o KASPER; na Rússia, o PRETUSKA; na Índia, o VIDOUCHAKA; em Java, o WAYANG; na Espanha, o CRISTÓVAM; na Inglaterra, o PUNCH; na França, o GUINHOL e no Brasil, o MAMULENGO.

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Karagóz

Karagöz é o herói do teatro de sombras turco e árabe e dá nome ao espetáculo de sombras. Karagöz e seu companheiro Hadjeivat, são lendários pelos famosos duelos verbais, pela retórica rápida e grotesca além de trocadilhos ásperos e jogos de palavras rústicos.

Uma relação de tipos pitorescos completavam o elenco do teatro de sombras: Celebi, o jovem dândi; a linda Messalina Zenne; Beberuhi, anão ingênuo; o persa com sua pipa d’água, o albanês, e outros personagens regionais; o viciado em ópio; o bêbado.

Apesar de suas piadas grosseiras e francas obscenidades, Karagöz ludibriava os grilhões das autoridades religiosas. Os bonecos, movidos por varas e recortados em couro ou pergaminho. O uso de tipos fixos oferecia campo para a sátira e polêmica, num disfarce de aparente inocência. Não havia fraqueza humana, vaidade de classe ou abuso tópico que Karagöz não convertesse em motivo de riso.

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Bunraku

Teatro de Bonecos surgidos no Japão, há indícios de seu surgimento por volta do   século VIII, mas um desenvolvimento mais significativo vai aparecer em  Osaka, depois do século XVI, com a denominação de “ninguiô-Jôruri” (jôruri sendo um personagem feminino tradicional).
Mas foi somente em 1871 que Uemura Bunrakuken criou o Bunraku teatro de Osaka (destruído por um incêndio em 1926) Passando o gênero a se chamar Bunraku, como hoje é conhecido universalmente, se caracterizando com uma técnica tradicional e ao mesmo tempo sofisticada de teatro de bonecos para adultos.

Os bonecos geralmente têm entre 90 a 140 cm de altura e seu peso pode chegar de 6 até 20 quilos. Os movimentos são muito precisos, delicados e sincrônicos, isto porque  cada boneco é manipulado por três homens  em sincronia perfeita. Em escolas tradicionais japonesas o aprendizado no Bunraku pode levar décadas, principalmente em relação à manipulação da cabeça.

O titereiro principal se chama omo-zukai e ele insere sua mão esquerda no orifício do quadril e segura a haste do pescoço entre o polegar e o indicador. Enquanto sustenta o peso do boneco, utiliza os 3 dedos restantes da mão para manipular os fios que movem os olhos, a boca, e a sobrancelha. Sua mão direita é utilizada para mover o braço direito do boneco.

O braço esquerdo do boneco é manipulado pelo hidari-zukai que desempenha o papel de assistente. Precisa trabalhar em sintonia com o omo-zukai observando a direção da cabeça do boneco e determinando a posição do braço esquerdo de acordo com essa direção.

As pernas do boneco são manipuladas pelo ashi-zukai, que move os ganchos em forma de L, instalados atrás dos calcanhares para trás e para frente, para esquerda e para direita a fim de imitar os movimentos das pernas. Para todos os movimentos há regras e metodologias detalhadas  a serem seguidas.

Petruska*

“Historiadores como o francês Jacques Chesnais (1980) e o polonês Marek Wazkiel (1997) afirmam que o teatro de bonecos foi introduzido na Rússia pelos alemães. Dizem ainda que nasceu no século XVII e que “sob o reinado do Imperador Alexis, foi proibido de 1648 a 1672. Petruchka é uma personagem extremamente popular,[7] vulgar em suas palavras e em seus atos. Faz parte da família dos Polichinellos e é quase exclusivamente representado por bonecos de luva” (CHESNAIS, 1980, p. 165).

Vale destacar que tanto o Petruchka, quanto as personagens do nosso Mamulengo, assim como heróis populares do teatro de bonecos de outros países, mantêm traços comuns, tais como: são bonecos de luva, o que no Brasil comumente se chama de fantoche; em seus aspectos físicos destacam-se narigões, bocarras por vezes apenas pintadas com traços amplos, exagerados, sem preocupações realistas; além da origem popular comum, a personagem central possui caráter irreverente, é justiceiro, têm um vocabulário recheado de palavrões, questiona as autoridades constituídas e resolve seus conflitos com surras e pauladas. A palavra tem grande ênfase neste tipo de teatro que representa comédias improvisadas a partir de um roteiro que se atualiza e modifica com os acontecimentos cotidianos e intervenções das platéias. O bonequeiro ao interpretar durante toda a sua vida a mesma personagem, vai ampliando o repertório de gestos, ações e falas desta personagem que ganha cada vez mais autonomia e força, solidificando-se como personagem na prática de representar.”

* Fragmento do texto:
A Animação do Inanimado na Dramaturgia de Maiakóvski
por Valmor Beltrame
CEART – Centro de Artes da UDESC

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